
Um total de 64 pré-egressos do complexo prisional em Aparecida de Goiânia se formaram nesta terça-feira (25) nos cursos profissionalizantes de pedreiro de alvenaria, costura industrial e marceneiro, por meio do Projeto Resgatar. Iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Polícia Penal do Estado de Goiás (PPGO), o projeto está alinhado à promoção de políticas de ressocialização e de fortalecimento da cidadania do Poder Judiciário goiano. A solenidade de formatura ocorreu na seção industrial da PPGO.
Iniciado em 2023, o Projeto Resgatar instituiu ferramentas de educação e capacitação profissional para pessoas que estão nas proximidades da saída do sistema prisional em Goiás. O objetivo é, através de formação de uma profissão, possibilitar que as pessoas privadas de liberdade possam exercer sua cidadania com novas possibilidades de reinserção social e entrada ao mercado de trabalho. A carga horária dos cursos é de 160 horas/aula.

Oportunidade
O titular da 1ª Vara de Execução Penal da Comarca de Goiânia, juiz Fernando Oliveira Samuel, destacou os desafios para o egresso e apontou que os certificados representam nova oportunidade. “Esse certificado que está com o nome de vocês é para que possam se lembrar que é uma ferramenta de oportunidade, de ganha-pão, para vocês cuidarem da família de vocês. Estamos aqui torcendo para que dê tudo certo”, ressaltou.
O Magistrado ainda complementou que o certificado é a oportunidade para que cada um dos formandos ‘não volte nunca mais para o sistema prisional’. “É o respaldo para vocês serem respeitados. Uma profissão que dará dignidade e um recomeço. Em Goiás, estamos sendo modelo para todo o país de como estamos transformando o cenário prisional”.

Já o procurador do MPT, Alpiniano do Prado Lopes, destacou a possibilidade de qualificação. “Estamos mostrando o caminho da transformação. Depois desse projeto, o objetivo é não ter reincidência ao crime. Aproveitem a oportunidade. Esforcem-se e honrem a vida e a família de vocês”.

Representando a Polícia Penal de Goiás, o superintendente de reintegração social e cidadania, Leoni Di Ramos Caiado Neto, falou que o certificado significa a diferença na vida de cada um. “Quero que entendam que esse diploma na mão de vocês não tem preço. Tem valor. Onde vocês apresentarem esse certificado, as pessoas vão saber que foram bem formados e isso faz a diferença”.

Recomeço
O professor e diretor do Senai, Wolney Magedans, pontuou o cenário atual do mercado de trabalho. “O Senai tem trabalhado com mais de 100 pessoas por ano em diversas áreas, em setores como o industrial e o de serviços, que têm uma carência de mão de obra no mercado profissional. Essa qualificação amplia oportunidades de acesso ao mercado de trabalho”, comentou.

Um dos formandos, Francisco José Sales Neto, 33 anos, que concluiu o curso de costura industrial e atua também como pintor na unidade prisional, revelou a importância do projeto. “Chegamos aqui sem uma profissão e o Resgatar nos deu a oportunidade de novos desafios profissionais em uma área. A importância dessa formatura é de podermos sair com uma profissão e ter uma chance de um recomeço” desabafou.

Presenças
Também presentes a procuradora do MPT, Milena Costa; o gerente de Produção Agropecuária e Industrial da DGPP, Paulo Sérgio Silva Santos; a presidente do Conselho da Comunidade, Berenice Genito; a representante da Defensoria Pública, Mariana Ruas; além de demais autoridades do Estado, Polícia Penal e agentes da unidade prisional.

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(Texto: Karineia Cruz / Fotos: Wagner Soares - Diretoria de Comunicação Social do TJGO)