
A Escola Judicial (Ejug) realizou, no período de 17 de março a 7 de abril de 2026, o curso “Criação, facilitação e coordenação de grupos para homens autores de violência contra as mulheres”. A formação, realizada na modalidade híbrida, foi voltada a integrantes do Sistema de Justiça e de instituições parceiras, como profissionais do Direito, Psicologia e Serviço Social, com atuação ou interesse em grupos reflexivos e responsabilizadores. O objetivo foi capacitar os participantes para a criação, condução e gestão desses grupos, a partir de referenciais dos estudos de gênero, feministas e de masculinidades, aliados a instrumentos psicológicos e sociológicos.
Ao longo do curso, foram abordados conteúdos teóricos e práticos relacionados às violências de gênero, incluindo marcos legais, como a Lei Maria da Penha, modelos de intervenção com homens autores de violência, experiências pioneiras e metodologias aplicadas em diferentes contextos institucionais. Foram discutidos aspectos como intersetorialidade, estruturação de grupos presenciais e remotos, além de estratégias de facilitação, manejo de conflitos e autocuidado dos profissionais envolvidos. A proposta buscou ampliar a compreensão sobre a construção social das violências e fortalecer a atuação qualificada na promoção de mudanças de comportamento.
“O principal desafio está em desconstruir esse olhar que se tem sobre o autor de violência. Quem são os autores de violência? Os autores de violência somos todos nós que, de alguma forma, exercemos alguma prática, internalizamos o machismo, e aí isso fundamenta as práticas de violência. Ora, eu não estou dizendo que os homens que cometem crimes de violência não devem ser julgados. Mas é importante que os facilitadores compreendam a violência através de uma concepção mais ampla, fazendo com que se perceba as microviolências que acontecem no cotidiano, principalmente desses homens que chegam até o grupo, que fundamentam os processos de violência com as suas companheiras, seus filhos ou os familiares”, ressalta o professor Ricardo Bortoli.

Aluna do curso, a escrivã criminal Izabel Cristina Ialacci destaca que “é um tema muito atual e é muito necessário”. “Então, tem sido muito gratificante, e o que mais chama a atenção é a questão da interdisciplinariedade, porque o curso aborda várias situações diferentes que a gente vive na sociedade, como a violência, a identidade de gênero, a construção social, tudo isso é que a gente vai poder trabalhar; e a gente fica cheio de esperança de poder contribuir para a prevenção da violência doméstica”, afirma.
A avaliação foi realizada de forma contínua, considerando o desempenho nas atividades propostas, a participação nas discussões e a elaboração de um relatório reflexivo final. A aprovação na etapa teórica foi requisito para o prosseguimento nas fases seguintes, assegurando o adequado aproveitamento do conteúdo.


(Texto: Loren Milhomem - Escola Judicial/Ejug)