
A Escola Judicial (Ejug) iniciou, na última quarta-feira (27), um ciclo de palestras sobre o uso de soluções de Inteligência Artificial no Poder Judiciário, com o objetivo de propiciar a magistradas, magistrados, servidoras e servidores reflexão técnica, normativa e institucional sobre o uso da IA no âmbito do Judiciário. Diretor da Ejug, o desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas abriu a programação com o tema “O uso inteligente da Agaia no Poder Judiciário de Goiás”. O evento ocorreu no Fórum Cível de Goiânia.
Diretora do Foro da comarca de Goiânia, a juíza Patricia Dias Bretas destacou a relevância da ferramenta Agaia para o enfrentamento do crescente volume de demandas no Poder Judiciário e ressaltou a importância da capacitação contínua para o uso da inteligência artificial.
Ao agradecer a realização da palestra, enfatizou o valor do conhecimento técnico compartilhado durante a formação. “É um privilégio podermos contar com alguém que conhece tão profundamente essa ferramenta, que já se tornou imprescindível para os nossos resultados”, afirmou.

A magistrada observou que o aumento constante do número de processos e a limitação de recursos impõem novos desafios às instituições públicas, tornando indispensável a adoção de soluções inovadoras. “Os processos não param e o trabalho não para de crescer. Para dar conta dessa nova demanda, precisamos buscar ferramentas inovadoras que nos ajudam”, pontuou.
Construção coletiva
O desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas ressaltou que o desenvolvimento da Agaia é resultado de um processo contínuo de construção coletiva, integrado às necessidades reais do Poder Judiciário e ao diálogo permanente entre magistrados, equipes técnicas e a Escola Judicial.
Segundo ele, a iniciativa surgiu a partir da percepção de que a inteligência artificial precisava deixar de ser apenas uma solução tecnologicamente avançada para se tornar efetivamente útil à atividade jurisdicional. “Não bastava ter uma ferramenta altamente desenvolvida se ela não tivesse utilidade prática”, afirmou. A partir dessa compreensão, conforme observou, foram promovidas oficinas, debates e palestras em parceria com a área de tecnologia do Tribunal, buscando compreender e aperfeiçoar as possibilidades de aplicação da IA no cotidiano forense.

Ao abordar a evolução da ferramenta, o diretor da Ejug ressaltou que as melhorias implementadas na Agaia, desde a interface até as funcionalidades mais complexas, são fruto de sucessivos diálogos internos e da participação ativa de grupos de trabalho dedicados ao tema.
“O desenvolvimento da inteligência artificial acompanha as demandas concretas dos usuários e permanece em constante aperfeiçoamento. Todas essas soluções surgiram de diálogos internos”, observou, ao lembrar que a ferramenta evolui continuamente para atender às necessidades da magistratura e das equipes de apoio.
O desembargador enfatizou ainda o impacto da inteligência artificial na organização do trabalho judicial, definindo a IA como um instrumento de pré-análise processual. De acordo com ele, a ferramenta permite que processos sejam previamente examinados, com geração de relatórios, triagens e minutas iniciais, otimizando o tempo de trabalho e qualificando a tomada de decisão.
“Com a inteligência artificial, eu já tenho uma minuta prévia, um caminho inicial de análise”, explicou. “Esse modelo representa uma inversão produtiva da dinâmica tradicional de elaboração de decisões, permitindo que o magistrado concentre sua atuação na validação crítica, no exame das provas e na formação do convencimento jurídico”, disse.
Laboratório
A programação também antecede a inauguração do primeiro laboratório de IA do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), LI²A-Ejug, criado pela Ejug com coordenação da Universidade Federal de Goiás (UFG). O laboratório é concebido como espaço estratégico voltado à pesquisa científica, à formação continuada, à experimentação e à governança de soluções de inteligência artificial aplicadas ao Poder Judiciário.
Entre os temas previstos ao longo do ciclo estão fundamentos conceituais da inteligência artificial, aplicações no Judiciário, IA generativa e produtividade, supervisão humana qualificada, prevenção de vieses, auditoria e monitoramento de sistemas, governança e transparência, além da proteção de dados pessoais e da conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
(Texto: Loren Milhomem – Escola Judicial de Goiás/Ejug - Fotos: Wagner Soares/Diretoria de Comunicação Social)