
A Escola Judicial (Ejug) do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) iniciou, nesta terça-feira (9), o projeto "Diálogos institucionais - o jornalismo e o Judiciário”, cujo objetivo é promover o diálogo entre o setor e o Poder Judiciário sobre os desafios, oportunidades e responsabilidades que envolvem a relação entre imprensa e Justiça. O evento, realizado na sala multiuso da Ejug, foi o primeiro de uma série de encontros com profissionais do jornalismo.
Diretor da Ejug, o desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas ressaltou que o projeto permite uma reflexão ampla sobre o papel que ambas as instituições desempenham na consolidação da democracia. “Em tempos marcados por rápidas transformações tecnológicas, pela disseminação da desinformação e pela intensificação da polarização social, a missão de ambos revela-se ainda mais relevante. Este é, precisamente, o sentido maior deste encontro, ou seja, promover um diálogo institucional, em uma perspectiva ‘buberiana', fundada na escuta recíproca, no reconhecimento do outro e na busca compartilhada do bem comum. Trata-se de fortalecer a confiança recíproca e de assegurar que os direitos fundamentais, a cidadania e o desenvolvimento econômico permaneçam como patrimônio de todos, e não privilégio de poucos”, afirmou.

A jornalista Cileide Alves, colunista do jornal O Popular e mestre em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG), foi a primeira palestrante do projeto. Ela falou a magistrados e servidores da Ejug e da Diretoria de Comunicação Social do TJGO. Cileide abordou temas como acesso à informação, transparência institucional, comunicação pública, ética no jornalismo, imprensa e sociedade.
A jornalista destacou a importância dos princípios éticos que orientam o exercício do jornalismo, especialmente em um cenário marcado pela proliferação de conteúdos produzidos sem compromisso com a apuração, a responsabilidade e o interesse público. Segundo ela, embora determinados valores possam parecer óbvios ou repetitivos, é justamente em tempos de excesso de informação e de autoproclamados formadores de opinião que se torna necessário reafirmá-los.
Ao abordar os desafios contemporâneos da comunicação, Cileide ressaltou que o Código de Ética dos Jornalistas funciona como um guia para a atuação profissional, tendo como fundamento o direito do cidadão à informação. A palestrante também refletiu sobre os impactos da chamada “indústria da atenção”, conceito desenvolvido pelo jornalista e professor Eugênio Bucci, observando que, na era digital, a disputa pela atenção do público é cada vez mais influenciada por algoritmos.
Para ela, o compromisso ético do jornalista deve servir como referência nessa travessia. Citando uma frase de João Guimarães Rosa, lembrou que “o real não está na saída nem na chegada; ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”, numa referência ao processo permanente de busca pela informação responsável e de interesse público. Ao final da palestra, os participantes puderam fazer perguntas à jornalista.
(Texto: Loren Milhomem / Escola Judicial - Ejug)