
Após iniciar o ciclo de palestras sobre Inteligência Artificial no Poder Judiciário no Fórum Cível de Goiânia, no mês de maio, com discussão sobre o uso inteligente da ferramenta Agaia, a Escola Judicial (Ejug) realizou, nesta terça-feira (23), a segunda palestra do ciclo, dessa vez no Fórum Central de Aparecida de Goiânia. O diretor da Ejug, desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas, demonstrou a magistradas, magistrados, servidoras e servidores os mecanismos de utilização da Agaia, solução de inteligência artificial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), para que ela possa ser trabalhada diariamente de forma inteligente e eficiente.

Diretora do Foro de Aparecida de Goiânia, a juíza Vanessa Rios Seabra ressaltou que a inteligência artificial deve ser compreendida como uma ferramenta de apoio ao trabalho, sem substituir o papel essencial das pessoas que atuam no sistema de Justiça.
Segundo ela, o maior patrimônio do Judiciário continua sendo o capital humano, formado por magistrados e servidores comprometidos com a prestação jurisdicional. “A adaptação às novas ferramentas ocorre de forma gradual, por meio do aprendizado contínuo, e representa um caminho necessário para acompanhar as transformações tecnológicas e aprimorar a atuação do Judiciário. Agradecemos ao desembargador Jeronymo por se disponibilizar a nos ajudar a aprender, compartilhando seus conhecimentos conosco”, disse.
O desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas destacou que a adoção de novas tecnologias pelo Judiciário exige capacitação, compreensão dos recursos disponíveis e diálogo constante entre usuários e equipes responsáveis pelo desenvolvimento. Conforme pontuou, a ferramenta Agaia foi construída a partir de uma atuação conjunta entre a área de Tecnologia da Informação e o Judiciário, com oficinas, discussões e ajustes para atender às necessidades práticas de magistrados e servidores.

O desembargador ressaltou que a inteligência artificial deve ser compreendida como um instrumento de apoio à atividade jurisdicional, sem substituir a análise humana. Para ele, a tecnologia amplia a capacidade de organização e produtividade, mas a sensibilidade, a interpretação e o julgamento continuam sendo atribuições essencialmente humanas. “A inteligência humana antecede a inteligência artificial. A IA é apenas um simulador da inteligência humana; ela não tem capacidade emocional, não tem sensibilidade e não compreende os conceitos da mesma forma que o ser humano. Ela é um sistema computacional de alta precisão que pode apoiar o magistrado na elaboração de rascunhos e análises”, afirmou.
Ao apresentar possibilidades de utilização da Agaia, o diretor da Ejug explicou que a ferramenta permite uma atuação mais estratégica, com recursos como síntese de processos, criação de mapas dos principais movimentos processuais, análise de documentos e elaboração de pré-análises que auxiliam a tomada de decisão. Segundo ele, o uso inteligente da tecnologia permite transformar uma rotina baseada na busca manual de informações em um trabalho mais organizado e direcionado, no qual magistrados e servidores passam a dedicar mais tempo à análise qualificada dos casos. A próxima palestra sobre o uso inteligente da Agaia será nesta quarta-feira, no Fórum de Anápolis, às 13h30.



(Texto: Loren Milhomem / Fotos: Airton Moura - Escola Judicial)