
Em continuidade ao projeto “Diálogos institucionais - o jornalismo e o Judiciário”, a Escola Judicial (Ejug) recebeu, nesta segunda-feira (29), a jornalista Marília Costa e Silva para uma conversa com magistrados e servidores. Ela abordou o tema: “Como o Judiciário pode ser compreendido pela sociedade: o papel da imprensa jurídica na tradução das decisões judiciais”.
A jornalista, que tem mais de 30 anos de experiência em cobertura do Poder Judiciário, destacou a importância do papel da imprensa na tradução e contextualização das decisões judiciais para a sociedade. Observou que embora as decisões produzidas pelo Judiciário tenham impacto direto na vida das pessoas, muitas vezes o cidadão não compreende plenamente seus efeitos, alcances e consequências práticas. “A gente, como jornalista, faz essa ponte entre o Judiciário e o cidadão, para que aquilo que vocês produzem possa ser interpretado e entendido pela sociedade”, afirmou.

Marília ressaltou que o trabalho jornalístico não deve se limitar à divulgação de decisões, mas apresentar o contexto, explicar os impactos e garantir que a informação chegue de forma clara ao público. Ela destacou a necessidade de informar o que foi decidido, quais são os efeitos práticos, os limites da decisão e se ainda há possibilidade de recursos. “A clareza não pode significar perda da precisão prática, da precisão técnica da notícia”, pontuou, ao reforçar que a imprensa exerce papel fundamental na aproximação entre o Poder Judiciário e a população. “Sempre com responsabilidade e ética. Da mesma forma que o Judiciário tem o dever da ética, a imprensa também o tem”, enfatizou.
O projeto “Diálogos institucionais - o jornalismo e o Judiciário” tem por objetivo promover o diálogo entre o setor e o Poder Judiciário sobre os desafios, oportunidades e responsabilidades que envolvem a relação entre imprensa e Justiça. Diretor da Ejug, o desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas destacou a relação histórica entre imprensa, sociedade e instituições, resgatando momentos em que a atuação jornalística esteve no centro de grandes debates nacionais.
Ao abordar o papel da comunicação na construção do entendimento público, ressaltou que o jornalismo passa por um momento de transformação, no qual os modelos tradicionais perdem espaço para novas formas de produção de conteúdo, mas a apuração e a responsabilidade continuam essenciais. Conforme pontuou, “a checagem da notícia é dolorosa e demanda tempo”, pois envolve não apenas a confirmação de informações, mas também a compreensão das histórias e das pessoas envolvidas.

O diretor ressaltou, ainda, que tanto jornalistas quanto magistrados lidam diretamente com dimensões humanas presentes nos conflitos sociais e judiciais. Para ele, a cobertura de decisões e fatos relacionados ao Judiciário precisa considerar os impactos que uma notícia pode causar na vida das pessoas, evitando que a busca por alcance e repercussão se sobreponha à responsabilidade ética. “Se eu consigo viralizar uma notícia, eu tenho mais monetização, eu recebo mais dinheiro pela notícia. Então não importa a dor do outro. Infelizmente, esse tem sido o pensamento de muitos”, refletiu, ao defender uma comunicação mais sensível, contextualizada e comprometida com o interesse público.

(Texto: Loren Milhomem / Fotos: Airton Moura - Escola Judicial/Ejug)