
A Escola Judicial (Ejug) do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) realizou, nesta terça-feira (7), mais um evento do ciclo de palestras sobre inteligência artificial no Poder Judiciário, desta vez no fórum da comarca de Rio Verde, onde magistradas, magistrados, servidoras e servidores assistiram a uma palestra sobre “O uso inteligente da ferramenta Agaia no Poder Judiciário de Goiás”, ministrada pelo diretor da Ejug, desembargador Jeronymo Pedro Villas Boas.
O desembargador explicou que os modelos atuais de inteligência artificial processam informações por meio de uma arquitetura conhecida como Transformer, que fragmenta palavras e dados em pequenas unidades para analisá-las em redes neurais. Conforme pontuou, a partir desse processamento estatístico, a IA identifica relações entre termos e constrói contextos, permitindo compreender o significado das solicitações feitas pelos usuários.
“Ela trabalha com estatística. Calcula qual é a palavra mais provável dentro daquele contexto”, afirmou. Segundo ele, “é justamente essa capacidade de contextualização que permite que a ferramenta produza respostas cada vez mais coerentes e alinhadas ao assunto consultado”.

Ao abordar a Agaia, o diretor da Ejug destacou que a solução foi desenvolvida para funcionar em ambiente institucional fechado, garantindo segurança às informações processadas pelo Poder Judiciário. Diferentemente das plataformas abertas disponíveis na internet, a ferramenta opera dentro da infraestrutura do Tribunal e aprende a partir da linguagem, dos padrões e das rotinas institucionais, sem expor dados processuais.
O desembargador alertou que a utilização de assistentes públicos de IA para tratar informações sensíveis representa riscos à confidencialidade. “Você escolheria discutir uma questão sigilosa na presença de milhares de pessoas? É isso que acontece quando se utiliza uma ferramenta aberta para esse tipo de informação”, comparou.
Na prática, explicou o magistrado, a Agaia não substitui a atividade jurisdicional, mas reorganiza a forma de estudar e analisar os processos. Ele observou que a ferramenta é capaz de mapear os autos, elaborar resumos, estruturar linhas de raciocínio, identificar os principais movimentos processuais e apresentar minutas preliminares para auxiliar o magistrado. A decisão, entretanto, permanece integralmente sob responsabilidade do juiz. “Ela não decide o processo. Entrega um primeiro estudo, um raciocínio, e eu escolho o caminho que vou seguir”, ressaltou.

O diretor da Ejug ressaltou que a principal mudança proporcionada pela inteligência artificial é eliminar o trabalho repetitivo e oferecer ao magistrado um panorama estruturado do processo, permitindo que concentre seus esforços na análise jurídica e na tomada da decisão.

O ciclo de palestras continuará em outras comarcas, em datas a serem confirmadas em breve.
(Texto: Loren Milhomem / Fotos: Escola Judicial/Ejug)