
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), desembargador Leandro Crispim, assinou, nesta segunda-feira (6), o decreto que oficializa a aposentadoria voluntária do desembargador Carlos França, ex-presidente da Corte goiana, com vigência a partir do próximo dia 13. França havia anunciado sua decisão no dia 18 de setembro, destacando em entrevista que levaria consigo a gratidão ao Poder Judiciário goiano, instituição à qual dedicou mais de três décadas de trabalho.
“Carlos França deixa uma trajetória marcada pelo equilíbrio, pela sensatez e pela dedicação ao serviço público. Sua passagem pela Presidência do Tribunal consolidou importantes avanços administrativos e tecnológicos, e ficará registrada na história da Justiça goiana”, afirmou o presidente Leandro Crispim, que desejou sucesso a França na sua nova carreira na Advocacia.
O desembargador França ressaltou o sentimento de reconhecimento e pertencimento à instituição que o acolheu desde o início de sua carreira. “Levo comigo uma gratidão profunda ao Poder Judiciário goiano, à magistratura e a cada colega juiz (a), desembargador (a) e servidor (a) com quem tive a honra de dividir esta jornada, contando sempre com o fundamental apoio de minha amada família. Encerro este ciclo com serenidade e o sentimento sincero de ter dedicado o melhor de mim à Justiça de Goiás e também com a alma repleta de alegria pelo reconhecimento que recebi de meus colegas magistrados, dos servidores e dos integrantes dos órgãos do sistema de justiça com os quais trabalhei, declarou França, que presidiu o Tribunal de 2021 a 2023 e, reeleito, de 2023 a fevereiro de 2025.
Trajetória no Judiciário
Natural de Campina Verde (MG), Carlos França ingressou na magistratura goiana em 1990, após aprovação em concurso público, tomando posse no cargo de juiz substituto. Foi promovido, em seguida, para as comarcas de Alto Paraíso de Goiás, Planaltina e Formosa, chegando à Comarca da capital em 1995, onde passou por diversas unidades judiciais, incluindo destacada atuação no juizado da Infância e Juventude, na Vara de Execuções Penais no período pós rebelião do Cepaigo e na condução da falência da Encol, então maior processo falimentar do país.
Em 2010, foi removido para o cargo de juiz substituto em segundo grau e, no mesmo ano, nomeado desembargador do TJGO. Durante sua carreira, exerceu funções administrativas relevantes, como diretor do Foro da Comarca de Goiânia, além de integrar o Órgão Especial, o Plenário e o Conselho Superior da Magistratura e a presidência da 2ª Câmara Cível e da 1a Seção Cível. Como presidente do TJGO, implantou projetos voltados à modernização tecnológica, à transparência administrativa e à valorização de magistrados e servidores, com destaque para o avanço da digitalização de processos, o fortalecimento da governança institucional e a reestruturação judiciária. Foi responsável pela ampliação de 42 para 78 cargos de desembargadoras e desembargadores e pelo fortalecimento da estrutura de Primeira Instância, com realização de diversos concursos públicos e posse de centenas de magistrados e servidores, além do concurso para delegação do serviço extrajudicial.
No período em que esteve na gestão, o TJGO foi premiado três vezes pelo CNJ com o Selo Diamante. França também presidiu, por duas vezes, o Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre) nos anos de 2023 e 2024. Além disso, em sua gestão teve início o premiado projeto social Raízes Kalungas – Justiça e Cidadania, que, com diversas frentes de trabalho, promove reparação histórica ao maior território quilombola Kalunga.
Aposentado no exercício do cargo de desembargador, Carlos França anunciou carreira na Advocacia. Casado com a desembargadora Ana Cristina Ribeiro Peternella França, é pai de Guilherme e Rafael Peternella França, o primeiro advogado e o segundo engenheiro civil.