O Comitê de Igualdade Racial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) e a Escola Judicial de Goiás (Ejug) realizaram, na manhã desta quinta-feira (3), o webinário "Colorismo". A mediação foi feita pela servidora Joelma Costa, que também fez a abertura da palestra, ministrada por Renata Barreto, mestre em Educação, psicopedagoga, integrante do Projeto de Extensão "Geninhas em Movimento", com foco em estudos raciais para uma educação antirracista, e coordenadora pedagógica do Projeto Alfadown/PUC Goiás. 

Renata Barreto falou sobre o livro “Colorismo”, da autora Alessandra Devulsky. Renata apresentou a autora. Alessandra é brasileira, advogada, mulher negra de pele clara, filha de mãe branca e pai negro, nascida em Diamantino, cidade do interior do Mato Grosso que recebeu uma grande migração de europeus. Atualmente, Alessandra Devulsky é professora de uma universidade do Canadá.

A psicopedagoga trouxe o conceito de colorismo que, de acordo com Alessandra Devulsky,  é uma ideologia, assim como o racismo. “Enquanto processo social complexo ligado à formação de uma hierarquia racial baseada primordialmente na ideia de superioridade branca, sua razão de fundo atende aos processos econômicos que se desenvolvem no curso de história. De um polo a outro, seja ao preterir os traços fenotípicos e a cultura associada a africanidade, ou ao privilegiar a ordem imagética de europaneidade, sua constituição está ligada ao colonialismo e, indevidamente, ao capitalismo”, citou ela ao completar que é ainda hierarquia pela cor da pele, tentativa de homogeneização das pessoas negras, tecnologia de poder, discriminação e racismo. 

A palestrante trouxe ainda reflexões sobre o embranquecimento do povo e a narrativa do povo negro na escola. “De acordo com ela, isso afeta diretamente a criança. O primeiro contato de uma criança racializada com o racismo, para ela, “é traumático, porque a natureza da apreensão é social, ou seja, não se dá de maneira objetiva, programada ou de modo ritualístico”, salientou.

Por fim, Renata Barreto questionou os participantes do webinário de que forma o racismo os afeta? Ela destacou ainda a importância de novas narrativas e a urgente necessidade de uma educação antirracista.  “Agradeço ao comitê de igualdade racial do TJGO por trazer ao debate temáticas tão importantes que provocam o estudo e denunciam a dinâmica do racismo estrutural que se apresenta também através do colorismo, compreendido como hierarquização racial pela tonalidade da pele, que perpetua o privilégio da branquitude, ao buscar manter o negro dominado, domesticado e subalternizado. É imprescindível aprofundar o conhecimento sobre o assunto e denunciar essa dinâmica opressora, lembrando sempre que o povo negro é multifacetado, é plural.  Que possamos assumir nossa negritude com toda força e como forma de resistência”, finalizou. 

Cartilha Antirracista

Renata Barreto destacou que é preciso revisitar o passado para compreender o presente. Ela citou a Cartilha Antirracista do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), produzida pelo Comitê de Igualdade Racial do Poder Judiciário goiano e que objetiva conscientizar o público, interno e externo, quanto às desigualdades a serem combatidas. Ela afirmou que, com a maior população negra fora do continente africano, o Brasil tem 56% dos seus habitantes autodeclarados como pretos ou pardos. Contudo, essa porcentagem da sociedade ocupa apenas 30% dos cargos gerenciais do mercado de trabalho, enquanto representam 71% da fatia dos mais pobres do País. (Texto: Arianne Lopes / Edição de imagens: Acaray Martins - Centro de Comunicação Social do TJGO)

 

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