Conhecer o passado é essencial para compreender o presente e construir o futuro. Nesta Linha do Tempo, o Centro de Memória e Cultura do TJGO apresenta os principais acontecimentos que marcaram a formação e o desenvolvimento do Poder Judiciário goiano ao longo dos séculos.
O percurso tem início na administração colonial, em 1727, passa pela instalação do Tribunal, em 1874, e chega às iniciativas mais recentes nas áreas de gestão documental, sustentabilidade e tecnologia.
Acesse a Linha do Tempo, conheça a trajetória da Justiça em Goiás e descubra a importância da preservação da memória para o fortalecimento da identidade institucional.
Século XVIII - Formação do território e da justiça em Goiás
1727
Fundação do Arraial de Sant’Anna, no contexto da expansão bandeirante liderada por Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. O território passou a integrar a Capitania de São Paulo, sob administração vinculada à exploração aurífera.
1736
O Arraial de Sant’Anna foi elevado à condição de Vila Boa de Goiás, por Carta Régia de Dom João V. A organização administrativa e judiciária local passou a seguir o modelo português, com concentração de poderes nas autoridades da vila.
1748
Criação da Capitania de Goiás, com capital em Vila Boa. A administração da justiça passou a integrar a estrutura política da nova capitania, ainda vinculada, em grau recursal, às Relações da Bahia e, posteriormente, do Rio de Janeiro.
Fonte: Arquivo Público do DF.
Início do século XIX - Reformas do sistema judiciário no Brasil
1808
Com a chegada da Família Real ao Brasil, foi criada a Casa da Suplicação do Rio de Janeiro, que passou a exercer função central na estrutura judiciária do período joanino e marcou a reorganização da justiça no território brasileiro.
1809
Instituição do cargo de Juiz de Fora em Goiás, reforçando a presença da magistratura letrada e a profissionalização da administração da justiça local.
1815
O Brasil foi elevado à condição de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, medida que fortaleceu a estrutura político-administrativa e jurídico-institucional no território brasileiro.
1824
Promulgação da Constituição Imperial, que consagrou a separação dos poderes e previu a existência de Tribunais da Relação nas províncias, responsáveis pela prestação jurisdicional em segunda instância.
Século XIX - Criação e Instalação do Tribunal da Relação de Goyaz
1830 a 1832
Promulgação dos primeiros códigos brasileiros, fortalecendo a cultura jurídica nacional e a atuação dos tribunais.
1873
Em 6 de agosto de 1873, Dom Pedro II assinou o Decreto nº 2.342, que determinou a criação de novos Tribunais da Relação no Império, incluindo o Tribunal da Relação de Goyaz.
1873
Em 5 de novembro, foi publicado o Decreto nº 5.456, que fixou a instalação do Tribunal da Relação de Goyaz para 1º de maio de 1874 e definiu sua estrutura administrativa e composição.
1874
Em 1º de maio, foi instalado solenemente o Tribunal da Relação de Goyaz, na então capital da província. O Tribunal iniciou suas atividades com cinco desembargadores, secretário, escrivães, oficiais de justiça e porteiro, em cumprimento ao Decreto nº 5.456/1873, apesar das dificuldades logísticas da época.
A instalação do Tribunal representou importante marco institucional para a Província de Goiás, ao ampliar o acesso à prestação jurisdicional em segunda instância e fortalecer a autonomia judiciária regional.
Crêa mais sete Relações no Imperio e dá outras providencias.
Fonte: Coleção das Leis do Império do Brasil de 1873. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1874. v. 1, pt. 1, p. 258.
Fixa a data de instalação do Tribunal da Relação de Goyaz e dispõe sobre sua organização.
Fonte: Coleção de Leis do Império do Brasil de 1873. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1873. v. 2, p. 892.
Século XIX - República e transformações institucionais
1889
Com a Proclamação da República, o Tribunal da Relação passou por adaptações institucionais, em consonância com as mudanças políticas e administrativas do novo regime.
1891
Com a Constituição Republicana e a primeira Constituição do Estado de Goiás, consolidou-se o modelo federativo, atribuindo aos Estados maior autonomia na organização de suas instituições e de sua estrutura judiciária.
1898
Criação da Academia de Direito de Goiás, na Cidade de Goiás, por meio da Lei nº 186, de 13 de agosto de 1898, marco relevante para a formação jurídica e para o fortalecimento das carreiras jurídicas no Estado.
Fonte e colorização: Cleidson Freitas
Século XX - Consolidação e Expansão Institucional
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás consolidou sua atuação institucional, com a interiorização da justiça, a reorganização das comarcas, a modernização administrativa e a ampliação do acesso à prestação jurisdicional no território goiano.
1937
Transferência da capital do Estado de Goiás para Goiânia, marco relevante na reorganização administrativa e institucional do Poder Judiciário goiano. A nova centralidade político-administrativa do Estado impactou a estrutura e o funcionamento do Tribunal, em diálogo com o processo de modernização territorial associado à Marcha para o Oeste.
Da esquerda para a direita, desembargadores Antônio Perillo, Maurílio Augusto Curado Fleury, João Francisco de Oliveira Godoy, Rodolfo da Luz Vieira, Dário Délio Cardoso e Colemar Natal e Silva.
Fonte: Crônicas do Judiciário
Colorização: Cleidson Freitas
1949
Posse de Maria Magdalena Pontes Viannay de Abreu na magistratura goiana, reconhecida como a primeira juíza de direito concursada do Brasil e, posteriormente, primeira desembargadora do Estado de Goiás. Sua trajetória constitui marco pioneiro da presença feminina na magistratura nacional e referência histórica para o Poder Judiciário goiano.
Década de 1950
Os conflitos agrários e a Revolta de Trombas e Formoso projetaram Goiás em uma das mais importantes lutas camponesas do país, evidenciando a centralidade das disputas fundiárias e o papel do Judiciário na mediação de conflitos e na regularização da posse da terra.
Fonte: O Cruzeiro, Rio de Janeiro, n. 26, p. 110-120, 14 abr. 1956.
1959
Maximiano da Mata Teixeira assumiu a Presidência do Tribunal de Justiça de Goiás, tornando-se o primeiro presidente negro da Corte. Nomeado desembargador em 1946, pelo então interventor Pedro Ludovico Teixeira, exerceu a magistratura no Tribunal durante quinze anos.
Fonte: O Popular. Maximiano da Matta Teixeira: o triunfo de um cassado que anistiou seus perseguidores. Goiânia, 25 nov. 1981
1986
Instalação do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás em sua sede definitiva, em Goiânia, marco da consolidação física e institucional do Poder Judiciário estadual, com reflexos na modernização administrativa e no fortalecimento da estrutura judiciária.
Fonte: Acervo fotográfico do Centro de Memória e Cultura do PJGO.
Acervo e Colorização: Cleidson Rodrigues de Freitas
1987
O acidente radiológico com o Césio-137, em Goiânia, produziu impactos sociais, sanitários e jurídicos de grande magnitude, exigindo respostas institucionais em matéria de responsabilidade civil, assistência às vítimas e proteção social.
Fonte: Diário da Manhã, Goiânia, p. 7, 4 out. 1987.
1988
Promulgação da Constituição Federal e criação do Estado do Tocantins, marco geopolítico que reconfigurou a jurisdição do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, exigindo readequações administrativas, territoriais e institucionais decorrentes da formação do novo ente federativo
Fonte: Google
1988
Maria Magdalena Pontes Viannay de Abreu, primeira juíza de direito concursada do Brasil, tornou-se a primeira desembargadora do Estado de Goiás, reafirmando o pioneirismo goiano na inserção feminina em espaços de poder na magistratura.
Fonte: Acervo do Centro de Memória e Cultura do PJGO
Colorização: Cleidson Freitas
1990
A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente inaugurou novo paradigma de proteção integral, impulsionando a especialização de unidades judiciárias e o fortalecimento de estruturas voltadas à infância e à juventude.
Fonte: Álvaro Soares
Acervo fotográfico do Centro de Memória e Cultura do PJGO.
1995
A instituição dos Juizados Especiais representou importante ampliação do acesso à justiça, com procedimentos mais céleres, simples e próximos da população.
Fonte: Álvaro Soares
Acervo fotográfico do Centro de Memória e Cultura do PJGO.
A partir dos anos 2000
O Tribunal fortaleceu a cultura de planejamento estratégico, com a adoção de instrumentos de gestão orientados por metas, indicadores e monitoramento de resultados, em alinhamento com as diretrizes nacionais do Poder Judiciário.
Fonte: 19º Encontro Nacional do Poder Judiciário (ENPJ), promovido pelo Conselho Nacional de Justiça. Registro fotográfico institucional do evento.
Século XXI - Memória, modernização e identidade institucional
2004
A Emenda Constitucional nº 45 e a criação do Conselho Nacional de Justiça inseriram o Tribunal em nova dinâmica nacional de planejamento, controle, metas e aperfeiçoamento da gestão judiciária.
2006
O fortalecimento da atuação do Tribunal no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher marcou novo momento institucional, com a estruturação de unidades especializadas e a ampliação da proteção jurisdicional em consonância com a Lei Maria da Penha.
Fonte: Centro de Comunicação Social do TJGO.
Década de 2010
O avanço da implantação dos processos judicial e administrativo digitais promoveu maior celeridade, transparência, segurança da informação e racionalização dos fluxos de trabalho.
2011
A desembargadora Beatriz Figueiredo Franco assumiu a Corregedoria-Geral da Justiça de Goiás. Primeira mulher a comandar o órgão, sua posse marcou passo relevante para a presença feminina em cargos de liderança no Judiciário goiano.
Fonte: Centro de Comunicação Social do TJGO.
2015
Criação da Escola Judicial do Estado de Goiás, marco da profissionalização permanente de magistrados e servidores e do fortalecimento da formação institucional continuada.
2015
A criação da Escola Judicial do Estado de Goiás marcou o fortalecimento da formação continuada de magistrados e servidores, contribuindo para a profissionalização institucional do Poder Judiciário goiano.
2015
Em consonância com a Resolução CNJ nº 203/2015, o Tribunal fortaleceu políticas afirmativas e medidas voltadas à equidade racial, reafirmando o compromisso institucional com o enfrentamento ao racismo estrutural e com a ampliação da pluralidade no sistema de justiça.
Foto: Agno Santos
Fonte: Centro de Comunicação Social do TJGO.
2017
O desenvolvimento e a adoção de soluções de inteligência artificial, como Berna e AGAIA, passaram a integrar a estratégia institucional de inovação, celeridade e aprimoramento dos fluxos processuais e administrativos.
Fonte: Centro de Comunicação Social do TJGO.
2017
A desembargadora Beatriz Figueiredo Franco tomou posse como vicepresidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, tornando-se a primeira mulher a ocupar a função no Poder Judiciário goiano.
2018
Inauguração do Centro de Memória e Cultura do Poder Judiciário do Estado de Goiás. Com a criação da unidade, o Tribunal fortaleceu as políticas de preservação da memória institucional, gestão documental e difusão cultural, reconhecendo a história como elemento constitutivo da identidade do Poder Judiciário goiano.
Foto: Wagner Soares e Aline Caetano
Fonte: Centro de Comunicação Social do TJGO.
2020
Com a pandemia de Covid-19, o TJGO adotou medidas temporárias de prevenção ao contágio e reorganização das rotinas institucionais, com ampliação do teletrabalho, uso de videoconferências, atendimento remoto e providências voltadas à continuidade da prestação jurisdicional.
Fonte: TJGO.
2021
A criação da Comissão Permanente de Acessibilidade e a adoção de medidas estruturais e comunicacionais reforçaram o compromisso do Tribunal com a inclusão, a eliminação de barreiras e a ampliação do acesso à justiça para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
Foto: Wagner Soares e Aline Caetano
Fonte: Centro de Comunicação Social do TJGO.
2021
O Tribunal aprofundou a política de linguagem simples e comunicação acessível, reforçando o compromisso com a democratização da informação jurídica e com a compreensão cidadã dos atos e serviços judiciais.
Foto: G. Dettmar.
Fonte: Agência CNJ de Notícias.
2022
A digitalização massiva de acervos, a consolidação do Juízo 100% Digital, a implantação das Unidades de Processamento Judicial e a expansão dos Pontos de Inclusão Digital evidenciaram novo estágio de modernização da prestação jurisdicional e de ampliação do acesso à justiça em ambiente virtual.
Foto: Wagner Soares
Fonte: Centro de Comunicação Social do TJGO.
2021 - 2026
O Tribunal fortaleceu sua agenda de sustentabilidade, com a consolidação do Plano de Logística Sustentável, o incentivo a práticas institucionais conscientes, a estruturação da governança voltada ao tema e o alinhamento progressivo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
2024
A certificação ISO 9001:2015 do Sistema de Gestão da Qualidade representou reconhecimento internacional da padronização de processos, da busca pela melhoria contínua e do compromisso institucional com a eficiência e a confiabilidade.
2024
Celebração dos 150 anos da criação do Tribunal da Relação de Goyaz, reafirmando a continuidade histórica entre o antigo Tribunal da Relação e o atual Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, instituição essencial à promoção da justiça, da cidadania e da paz social.
Foto: Wagner Soares
Fonte: Centro de Comunicação Social do TJGO.
2024
O TJGO venceu o Prêmio CNJ Memória do Poder Judiciário, na categoria Patrimônio Cultural Museológico, com a iniciativa “150 anos, 7 Tribunais”, desenvolvida pelo Centro de Memória e Cultura em parceria com outros seis Tribunais de Justiça instalados em 1874, valorizando a trajetória histórica dessas instituições centenárias.
2025
O TJGO sediou o V Encontro Nacional da Memória do Poder Judiciário, realizado de 6 a 9 de maio de 2025, reunindo representantes de tribunais, centros de memória, arquivos e museus em debates sobre cultura, diversidade, preservação histórica e políticas de memória no Poder Judiciário.
2026
O TJGO venceu o Prêmio CNJ Memória do Poder Judiciário, na categoria Acervo Arquivístico, com iniciativa da Unidade de Gestão Documental. A premiação reconheceu ações voltadas à organização, preservação e difusão do acervo documental do Poder Judiciário goiano.
REALIZAÇÃO
Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
PRESIDENTE
Desembargador LEANDRO CRISPIM
Presidente da Comissão Permanente de Memória e Cultura
Desembargador Roberto Horário de Rezende
Diretora do Centro de Memória e Cultura
Laylla Nayanne Dias Lopes Vilarinho
TEXTO
Laylla Nayanne Dias Lopes Vilarinho
Nataly Mendes Vitorio
DIGITALIZAÇÃO
Cleidson Rodrigues de Freitas