
A Escola Judicial (Ejug) realizou, nesta segunda-feira (1º), o webinário “Conversa com Danielle Emery sobre o livro Violent Partners”, atividade no âmbito do Grupo de Estudos Direitos da Mulher: Vozes do Sul Global. Especialista em violência doméstica e intervenções centradas nas sobreviventes e diretora de Operações, Pesquisa e Avaliação no Center on Violence and Recovery (CVR) - onde coordena equipe nacional responsável pela avaliação de práticas restaurativas voltadas para a reparação de danos e responsabilização de agressores -, Danielle Emery palestrou sobre o tema e respondeu dúvidas dos participantes.
O grupo de estudos é coordenado pela juíza Isabella Bittencourt, que atuou como mediadora do debate. Ela esteve acompanhada da juíza Marcella Sampaio Santos e da professora Jéssica Tragueto (UFG), que atuaram como debatedoras. Danielle Emery destacou que seu interesse pelo tema da violência doméstica surgiu ainda na adolescência, quando vivenciou situações que marcaram sua formação e que, ao iniciar sua carreira, em 2007, como assistente de pesquisa no desenvolvimento do livro Violent Partners, passou a compreender melhor as dinâmicas dos relacionamentos abusivos. Pontuou que esse percurso, reforçado por quase duas décadas de estudos e atuação prática, direcionou suas reflexões sobre prevenção, intervenção e modelos alternativos de resposta à violência.

Ela ressaltou dados recentes que apontam a dimensão do problema. “Milhões de pessoas são impactadas anualmente nos Estados Unidos, e grande parte das vítimas vivencia situações de abuso ainda na juventude, perpetuando ciclos que se reproduzem nos ambientes familiares e comunitários”, disse, ressaltando como sua experiência em programas de abrigo, centros de pesquisa e iniciativas de justiça restaurativa permitiu analisar, de forma integrada, a relação entre violência, vergonha, trauma e transmissão intergeracional. “A vergonha é uma emoção muito poderosa, e muitas pessoas recorrem à violência para se distanciar desse sentimento”, afirmou, enfatizando a importância de intervenções que acolham também essa dimensão emocional.
Ao comentar os avanços e limites das respostas tradicionais, a palestrante defendeu que novas abordagens precisam coexistir com os modelos já consolidados, ampliando as possibilidades de atuação diante de casos diversos. Explicou que o trabalho desenvolvido a partir das pesquisas de Linda G. Mills propõe alternativas restaurativas, como círculos de diálogo, capazes de envolver ofensores, vítimas e comunidades em processos estruturados de responsabilização e reconstrução de vínculos.
Para ela, compreender a complexidade desses relacionamentos é essencial para interromper ciclos de violência, fortalecer redes de apoio e contribuir para relações futuras mais seguras e saudáveis. O webinário está disponível no canal da Ejug no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=foVGOCSctSk. (Texto: Loren Milhomem / Ejug)

